[mini ensaio] Qual o papel do indivíduo na história?
Diferentemente dos liberais, que não conseguem ver uma continuidade da história, uma sociedade superior ao capitalismo, quero escrever sobre o indivíduo reconhecendo este como uma realidade mas colocando os limites da racionalidade individual e egoísta. Não podemos negar a existência do indivíduo e cada vez menos podemos fazê-lo. Isso porque ele se torna cada vez mais real, ou seja, cada vez mais os indivíduos são capazes de autonomia, de seguir seus rumos para além de determinações da família ou qualquer outra comunidade. Se pensarmos na questão de classe, nos deparamos com uma generalização do indivíduo e sua racionalidade egoísta presente em diferentes classes. É claro que isso faz com que a classe trabalhadora não exista enquanto coletivo mas, apesar disso, a pequena burguesia (comerciantes, técnicos e burocracia de medio e alto escalões, políticos, etc.) reafirma o indivíduo como o máximo de existência humana, reforçando a força do ideal liberal. Os próprios trabalhadores buscam sair de sua condição de pobreza individualmente, seja pelo trabalho ou pela esperteza. Essa situação reforça a crença dominante que esse é o único mundo possível. E, por outro lado, muitos comunistas não conseguem fazer a síntese que reconhece o indivíduo, com receio de cair no pantano da social-democracia. Sendo assim, não avançamos na discussão sobre a autonomia necessária para uma sociedade socialista hoje. Já que a autonomia da classe trabalhadora é tomada de maneira abstrata, como se não dependesse de decisões e autonomias individuais. O medo de criar formulações coerentes com nossa filosofia nos aprisiona e petrifica em formulações de períodos anteriores, quando nossos mestres tinham menos condições de avançar. Mesmo assim, encontramos pistas desse caminho em Rosa Luxemburgo e Antônio Gramsci. Ou antes deles, fora do marxismo, na filosofia de Kant, que discute a questão da autonomia numa perspectiva racionalista e liberal mas ainda assim aponta essa necessidade. Enquanto não pudermos nos apropriar da ciência e da filosofia desenvolvida na história estaremos fadados a retroceder outras vezes. E quão longos são os períodos de recuperação e reorganização! Não se trata tampouco de uma pequena elite se apropriar dessa ciência, será necessário uma apropriação massiva, como deverá ser das máquinas, dos prédios e terras. Isso não ocorre do dia pra noite e não espero uma iluminação total da classe para acontecer uma revolução. Mas enquanto uma faxineira não for capaz de calar um dirigente para dizer o óbvio inédito, não seremos classe mas parte, partido ou seita. Seremos seita se não falarmos a língua dos nossos, seja ele o indivíduo ou a massa, se não formos sensíveis a suas dores e aspirações.
A divisão do trabalho se fez com o desabrochar do mundo moderno e pôs fermento na emergência do indivíduo. Agora que temos condições de aproveitar disso para criar nossa máquina revolucionária levantamos a bandeira da produção artesanal e da monarquia?
A divisão do trabalho se fez com o desabrochar do mundo moderno e pôs fermento na emergência do indivíduo. Agora que temos condições de aproveitar disso para criar nossa máquina revolucionária levantamos a bandeira da produção artesanal e da monarquia?
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