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Mostrando postagens de dezembro, 2017

[crítica] Novelas e ideologia (1)

O outro lado do paraíso  Aquilo que poderia ser o inferno, será mesmo o próprio paraíso? Vingança, duas mulheres separadas de suas famílias. Ambas do Tocantins, é a vez do estado mais novo do Brasil, criado na ditadura. Uma,  de origem simples e casada com um diplomata, desprezada pelo sogro aristocrata por sua origem de classe. Outra, camponesa, herdeira de uma terra com esmeraldas, que se apaixonou por um jovem burguês de Palmas, foi estuprada no dia do casamento e agredida fisicamente pelo mesmo desde então. Esta última é a protagonista do inferno (ou seria o lado obscuro do paraíso?). A sogra ambiciona sua jazida de esmeralda e a cunhada seu filho recém-nascido, motivo que as levaram a criar um meio de internar a personagem Clara num hospício por 10 anos. Ela é a vingança e a sede pela apropriação da cria (criação/riqueza produzida) da classe operária contra a burguesia e o patriarcado. Ela quer se vingar da sogra, e todos que a ajudaram a persegui-la. Mais produção da ...

[mini ensaio] Sobre abusos e ressentimentos

Parece não termos como escapar dessa malha de relações em que uns desconfiam dos outros, no seu círculo mais íntimo, na sua própria família, entre seus melhores amigos. Que mundo herdamos e que mundo criamos para nós e outros amanhã, jovens que serão como os pais, com os mesmos ídolos, ainda que travestidos de outra forma! Se houve um tipo de sociedade que as coisas se descobriam devagar, no seu tempo, de forma espontânea e intensa... Será que a velha comunidade tinha dessas coisas? Um velho homem que se sentiu humilhado pelos próprios parentes, por ter um pai viciado que batia na mãe, que construiu sua vida nessa busca por comprovar sua honra, sua capacidade, seu merecimento. Um outro que concorre com seu amigo para comprovar sua virilidade, para mostrar que é desejado, numa batalha pessoal com aquele que admira. Uma mulher que concorre por ser reconhecida, lutando contra todo um velho mundo, preparada para as melhores respostas mas usando uma pena e um tinteiro, escrevendo em hebrai...

[crônica] Meu senso-comum, meu ódio

Eis que nos deparamos com a questão da repressão policial tão exaltada por Jair Bolsonaro. Estou trabalhando, vou embora mas volto para ir ao banheiro.  Logo me deparo com a falta do meu capacete, que vai ser pago no cartão de crédito durante 3 meses. Como qualquer trabalhador, individualizado no dia a dia das dificuldades, do espremido salário e das contas para pagar. Como um burguês que administra a sua empresa, tem receitas e despesas. Mais um roubo. Como aqueles que aparece todos os dias no jornal de milhões. Neste caso são 96 reais contidos numa mercadoria, mais um pequeno furto. Daqueles furtos cotidianos que todos conhecem no seu dia a dia em uma grande cidade. Tenho vontade logo de associar esse fato àqueles que eu sei que não trabalham, o "vagabundo", o ladrão, o traficante. Como qualquer trabalhador que sonha em sair do sufoco, que se espelha no burguês com seu carro novo, que sonha em sair do ônibus lotado, para pegar o trânsito do fim de expediente, ao lado do Pe...