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Mostrando postagens de setembro, 2018

[crítica] A aparências enganam - uma interpretação

A música interpretada por Elis Regina pode ser interpretada como uma canção de amor, como fez um jornalista ao apresentar o lançamento desta na televisão. Contudo, apenas para quase todos e em algum momento. Num contexto de conflito social iminente, extrapola a esfera privada do casal e ganha uma conotação universal de conflito de classes.  Poderíamos estar falando do amor cego dos enamorados que é uma reprodução privada dos amores políticos, como os namoros e casamentos são uma reprodução dos regimes políticos e dos períodos de concertação de classes. A fogueira das paixões nada mais é que o encontro destas na forma de um conflito aberto onde a combustão os persegue. Compartilham o pão, o vinho e a recordação da possível convivência. Mas as aparências enganam não apenas os casais mas a sociedade civil que acredita poder viver numa sociedade capitalista em paz ou quando luta entre si apaixonada e cegamente. E, numa nova estação, não há mais nada que se fazer, não há mais tem...

[micro ensaio] Do idealismo marxista e do apelo produtivo

A estratégia socialista é determinante, além do que é produtivo ou não. Até agora, o mais avançado do debate democrático e popular definiu o centro da classe como o setor produtivo e a organização dos trabalhadores da indústria indiscriminadamente como centro do polo organizativo revolucionário. Porém, a heterogeneidade da classe trabalhadora, do sujeito revolucionário, também existe dentro do chamado setor produtivo. Ou seja, a questão determinante não é apenas a produção de valor uma vez que esse critério é determinado pelo interesse da classe dominante. O problema para nós, comunistas, é o papel de cada campo na luta de classes. O quanto cada setor ou campo pode ser central, estrategicamente, para a organização de uma produção numa nova lógica. Da produção voltada para a necessidade humana e não para a acumulação de riqueza. Isso envolve o conhecimento dos técnicos da produção e a possibilidade de voltar um tipo de produção e, no limite, de uma máquina, para a produção de uma nova ...

[crítica] O outro lado do paraíso 

O outro lado do paraíso  Aquilo que poderia ser o inferno, será mesmo o próprio paraíso? Vingança, duas mulheres separadas de suas famílias. Ambas do Tocantins, é a vez do estado mais novo do Brasil, criado na ditadura. Uma,  de origem simples e casada com um diplomata, desprezada pelo sogro aristocrata por sua origem de classe. Outra, camponesa, herdeira de uma terra com esmeraldas, que se apaixonou por um jovem burguês de Palmas, foi estuprada no dia do casamento e agredida fisicamente pelo mesmo desde então. Esta última é a protagonista do inferno (ou seria o lado obscuro do paraíso?). A sogra ambiciona sua jazida de esmeralda e a cunhada seu filho recém-nascido, motivo que as levaram a criar um meio de internar a personagem Clara num hospício por 10 anos. Ela é a vingança e a sede pela apropriação da cria (criação/riqueza produzida) da classe operária contra a burguesia e o patriarcado. Ela quer se vingar da sogra, e todos que a ajudaram a persegui-la. Mais produção da ...