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Mostrando postagens de novembro, 2018

[micro ensaio] os ismos e o Comunismo

Com o avanço das questões democráticas, desde os anos 60, sobre a desigualdade entre os gêneros, etnias/raças e, posteriormente, sobre outras diversas identidades e condições que fazem uma parte dos cidadãos serem considerados como "meio" iguais, muitos debates foram se aprofundando sobre a subjetividade e a luta por igualdade dentro do capitalismo.  Digo dentro do capitalismo porque, paralelamente a isso, a URSS e o bloco soviético passavam por uma grave crise decorrente do isolamento econômico do projeto comunista das condições de produção avançada dos países industrializados. Em 1956, explodia o relatório de Kruschev, que denunciava a perseguição de Stalin e colocava em descrédito o modelo comunista de superação do capitalismo. Os comunistas continuaríamos tentando uma superação apesar do atraso econômico de suas bases e da impermeabilidade eficiente dos países capitalistas mais avançados. Nos EUA, por exemplo, os Panteras Negras tinham uma identidade com a Revolução ma...

[micro ensaio] A ditadura democrática e nossa estratégia

Se entendemos o mundo contemporâneo como um mundo livre no sentido liberal, não há porque não usar da liberdade de expressão e de pensamento abertamente. É assim que as instituições democráticas nos incentivam a participar e dar nossa opinião, representar e se fazer representar nas instâncias do Estado moderno, no parlamento, nos conselhos participativos, inclusive em algumas empresas que criam tais conselhos por saber da dificuldade de contar apenas com a força e coerção.  Nossa tradição se confunde com essa liberal quando fomos derrotados em nossa Revolução e retrocedemos até abrir mão de nós mesmos, de nossa filosofia, da tese de que a sociedade burguesa é uma ditadura de classe.  Fizemos isso e de fato, hoje, nos parece inconcebível afirmar que vivemos uma ditadura. Os mais velhos, que viveram o período militar sabem da diferença e lembram do que se trata uma ditadura militar. Assim, a experiência organizativa e política de nossa classe nos forjou para lutar pela demo...

[crônica] O espelho e o ressentimento político em 2018

A  expressão mais contraditória do momento. Poderíamos dizer que Bolsonaro é o grande líder das massas, o substituto do que foi o grande líder Lula com sinal trocado. Mas como Marx disse a respeito de Luis Bonaparte, esse "mito" não passa de um nanico, a farsa que procede à tragédia. Um olhar psicológico permite ver que a grande expressão nacional deste está em correspondência com a sua pequenez de espírito. O ressentimento contido em suas ações desde sua primeira aparição pública inicial nos permite arriscar sua liderança efêmera e de pouca profundidade, seu caráter de instrumento em oposição ao de sujeito histórico. Não estamos falando ainda de sua aparição como político na democracia, satisfeito com sua posição folclórica e sua ineficiência parlamentar - tendo aprovado apenas 2 projetos em 27 anos de mandato como deputado federal ( Estadão, 23/7/2017 ). Mas seus consecutivos mandatos de deputado federal não são esse começo. O atentado planejado por Bolsonaro, a "...