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Mostrando postagens de maio, 2020

[crônica] Diário do coronga: ele está entre nós... e não tem pressa!

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Assumimos a dianteira do número de mortos. O recalcado da nação, fracassado de carreira e chefe da nação conseguiu atrair as atenções do mundo, novamente. Somos o país que mais morre pessoas por covid-19 por dia e essa semana ultrapassaremos a Espanha, a França e, possivelmente, a Itália em número de mortos pela doença.  Pois bem, não me parece que o mito de nome messias tem atraído a glória e a salvação do senhor. Estamos na verdade, ardendo no fogo do inferno. O falso profeta nos governa e nós estamos sofrendo as consequências dos delírios coletivos de seus seguidores. Mas deixando o palavreado teológico de lado e voltando à matemática: é bom lembrar que somos o sexto país em número de mortos e que, desses, somos o que tem menos testes. Pior, desse grupo seleto de pandêmicos, o quinto lugar em número de testes é a França, que têm cinco vezes mais testes proporcionalmente à população (21.217 para cada milhão de pessoas, enquanto nós temos 4.104 para cada milhão). Os EUA têm 12 vez...

[aforisma] A corrente e seus elos

Admito minha insuficiência teórica e ainda assim não me deixo render. Me explico: não sei exatamente onde está a teoria do elo fraco da corrente, em Lenin, mas sei que se relaciona com a condição periférica e sua potência explosiva. O camarada russo parecia ponderar a tese de Marx de que as condições materiais são determinantes para o surgimento de uma nova sociedade. Ainda que Lenin tenha feito duras críticas aos populistas russos (Narodniks), afirmando que as relações sociais comuniais tradicionais não poderiam contribuir como base da transformação revolucionária porque estavam em vias de extinção. Vera Zasulich teve troca de correspondências com Marx sobre tal tema. Este considerou as teses populistas e afirmou que existia a possibilidade de a comuna rural ser a base da transição revolucionária, por possuir um modo de vida sem classes, saltando a etapa do desenvolvimento capitalista. A condição para tal, segundo Marx, seria a articulação da Revolução na Rússia se articular com a re...

Homenagem a Aldir Blanc e Flávio Migliaccio

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Aos nossos mestres! Me lembro de uma paródia de "De frente pro crime" de Aldir Blanc que fizemos em 2005, quando o governo Lula ameaçava as Universidades Federais com privatizações. Nós cantávamos: "tá lá o corpo da educação". Era preciso lutar contra o que se transformava nosso projeto político mas nunca imaginaríamos que as consequências seriam muito mais desastrosas, uma gigante vermelha que ao implodir dava lugar a um buraco negro e ao fascismo. Não foi como a estrela que  toma conta de tudo antes de apagar e virar uma anã branca. A morte de Aldir Blanc por Covid-19 e de Flávio Migliaccio por suicídio é mais um capítulo dessa história. Eu descobri hoje, relembrando meu primeiro ano de faculdade, o quão importante foi Aldir Blanc pra mim, essa música e tantas outras que me influenciaram tanto quanto os supostos doutrinadores que passaram pelo meu caminho. A morte de Migliaccio parecia apenas "mais uma", não o conhecia pelo nome. Quando vi sua foto, c...