[crônica] Diário do coronga: ele está entre nós... e não tem pressa!

Assumimos a dianteira do número de mortos. O recalcado da nação, fracassado de carreira e chefe da nação conseguiu atrair as atenções do mundo, novamente. Somos o país que mais morre pessoas por covid-19 por dia e essa semana ultrapassaremos a Espanha, a França e, possivelmente, a Itália em número de mortos pela doença.
Pois bem, não me parece que o mito de nome messias tem atraído a glória e a salvação do senhor. Estamos na verdade, ardendo no fogo do inferno. O falso profeta nos governa e nós estamos sofrendo as consequências dos delírios coletivos de seus seguidores. Mas deixando o palavreado teológico de lado e voltando à matemática: é bom lembrar que somos o sexto país em número de mortos e que, desses, somos o que tem menos testes. Pior, desse grupo seleto de pandêmicos, o quinto lugar em número de testes é a França, que têm cinco vezes mais testes proporcionalmente à população (21.217 para cada milhão de pessoas, enquanto nós temos 4.104 para cada milhão). Os EUA têm 12 vezes mais (49.416 para cada milhão). E não digo isso pra chorar as pitangas da nossa pobreza. Mas para lembrar que a situação é muito pior do que os números oficiais dizem e que aquele amigo/a ou conhecido/a que morreu de infarto pode estar engrossando a sub-notificação de casos da doença. Mas o que alguns empresários bilionários fanfarrões como Roberto Justos disseram publicamente, que o número de mortos não é significativo diante dos prejuízos econômicos, é o pensamento de sua classe, que nem sempre se expõe dessa maneira por saber dos limites estreitos de conciliação de interesses.
Tivemos o privilégio de conhecer o conteúdo da reunião de ministros de Bolsonaro para ver (mais uma vez, pra quem ainda precisa de provas) como os funcionários do capital lidam com isso tudo. Como o ministro (do Meio Ambiente) Salles: aproveitar a distração da pandemia para facilitar o desmatamento. Ou como o Weintraub (da educação): cana e palmatória no STF e em quem discorda. A face mais crua da burguesia está a mostra e isso é bem educativo. A luta de classes se instalou no Brasil e no mundo, testando a capacidade dos trabalhadores de fingir que não sentem dor enquanto são torturados. E o malabarismo dessa canalha é pirotécnico: afirmam serem perseguidos quando as instituições burguesas tentam lhes impor limites, comparando-se às vítimas do nazismo. Eduardo Bolsonaro diz que o golpe é questão de tempo ("não se trata de se mas quando"). Quando se solta o cachorro louco do fascismo dá trabalho para trancá-lo de novo. E é bom lembrar, temos milhares de responsáveis por isso e serão cobrados, cada um na medida certa de sua cota.
De qualquer modo, aquele que nos passa o bastão nos mostra que as convulsões sociais vão ocorrer. A morte de (mais) um negro pela polícia nos EUA gerou revolta (que seja apenas o início). Aqui ainda parecemos anestesiados. E seguimos violentados diariamente pelo vírus, pelas ingenuidades cúmplices e pela escória do mundo. Guardem o fogo dos nossos irmãos do norte em seus olhos, vamos cuspi-lo no momento certo, ele há de chegar e nós não termos pressa. E os adoradores do inferno, que falam em nome de cristo vão descobrir o que é salvação e vão se envergonhar.
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