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Mostrando postagens de 2017

[crítica] Novelas e ideologia (1)

O outro lado do paraíso  Aquilo que poderia ser o inferno, será mesmo o próprio paraíso? Vingança, duas mulheres separadas de suas famílias. Ambas do Tocantins, é a vez do estado mais novo do Brasil, criado na ditadura. Uma,  de origem simples e casada com um diplomata, desprezada pelo sogro aristocrata por sua origem de classe. Outra, camponesa, herdeira de uma terra com esmeraldas, que se apaixonou por um jovem burguês de Palmas, foi estuprada no dia do casamento e agredida fisicamente pelo mesmo desde então. Esta última é a protagonista do inferno (ou seria o lado obscuro do paraíso?). A sogra ambiciona sua jazida de esmeralda e a cunhada seu filho recém-nascido, motivo que as levaram a criar um meio de internar a personagem Clara num hospício por 10 anos. Ela é a vingança e a sede pela apropriação da cria (criação/riqueza produzida) da classe operária contra a burguesia e o patriarcado. Ela quer se vingar da sogra, e todos que a ajudaram a persegui-la. Mais produção da ...

[mini ensaio] Sobre abusos e ressentimentos

Parece não termos como escapar dessa malha de relações em que uns desconfiam dos outros, no seu círculo mais íntimo, na sua própria família, entre seus melhores amigos. Que mundo herdamos e que mundo criamos para nós e outros amanhã, jovens que serão como os pais, com os mesmos ídolos, ainda que travestidos de outra forma! Se houve um tipo de sociedade que as coisas se descobriam devagar, no seu tempo, de forma espontânea e intensa... Será que a velha comunidade tinha dessas coisas? Um velho homem que se sentiu humilhado pelos próprios parentes, por ter um pai viciado que batia na mãe, que construiu sua vida nessa busca por comprovar sua honra, sua capacidade, seu merecimento. Um outro que concorre com seu amigo para comprovar sua virilidade, para mostrar que é desejado, numa batalha pessoal com aquele que admira. Uma mulher que concorre por ser reconhecida, lutando contra todo um velho mundo, preparada para as melhores respostas mas usando uma pena e um tinteiro, escrevendo em hebrai...

[crônica] Meu senso-comum, meu ódio

Eis que nos deparamos com a questão da repressão policial tão exaltada por Jair Bolsonaro. Estou trabalhando, vou embora mas volto para ir ao banheiro.  Logo me deparo com a falta do meu capacete, que vai ser pago no cartão de crédito durante 3 meses. Como qualquer trabalhador, individualizado no dia a dia das dificuldades, do espremido salário e das contas para pagar. Como um burguês que administra a sua empresa, tem receitas e despesas. Mais um roubo. Como aqueles que aparece todos os dias no jornal de milhões. Neste caso são 96 reais contidos numa mercadoria, mais um pequeno furto. Daqueles furtos cotidianos que todos conhecem no seu dia a dia em uma grande cidade. Tenho vontade logo de associar esse fato àqueles que eu sei que não trabalham, o "vagabundo", o ladrão, o traficante. Como qualquer trabalhador que sonha em sair do sufoco, que se espelha no burguês com seu carro novo, que sonha em sair do ônibus lotado, para pegar o trânsito do fim de expediente, ao lado do Pe...

[crítica] Novelas e ideologia

Costuma-se dizer que as novelas são instrumento de manipulação da massa. Esse discurso fez parte especialmente do repertório da esquerda nas últimas décadas, pelo menos das duas últimas. Ou seja, desde a redemocratização. Quando o aparato repressivo foi domesticado e iniciou-se a abertura política, a cultura precisava ser edificada em fundamentos democráticos dos quais fazem parte o PT de Lula e as novelas da Globo. E hoje esse discurso faz parte também do repertório da direita anti-liberal, eventualmente evangélica e/ou fascista. Contudo, nessa cultura democrática que tardou anos para se consolidar não existe espaço para censura. A esquerda que demorou tanto tempo para chegar ao poder, levou até a política de Estado a voz do gênero, da raça e do orgulho LGBTT sob a bandeira popular e democrática. As cotas sociais em universidades chega até a considerar a "classe social" na compensação aos alunos da escola pública, mesmo depois do "golpe" de Temer. A Globo que se...

[mini ensaio] Por um novíssimo ensino médio

Eis um problema epistemológico e metodológico da escola, da atividade docente. Diante da incompletude da ciência, o professor encontra na sala de aula dilemas diante dos seus alunos que se referem aos dilemas da própria ciência incompleta, imperfeita e incompetente. O professor pode se fechar numa Torre de Marfim pretensiosamente seguro de seu conhecimento científico. Mas essa torre só existe nas mentes humanas mais vulgares. Qualquer exame mais profundo irá nos colocar diante de debates teóricos, de questões ainda não resolvidas pela ciência. Afirmar que essas questões estão resolvidas pode apenas ser uma solução provisória para o objetivo didático imediato mas a reação dos alunos diante de tais afirmações, de tal conhecimento, revela a capacidade cognitiva e a desconfiança do sujeito que recebe esse conhecimento pretensiosamente verdadeiro. Isso obriga o professor a estudar constantemente a se aprofundar como um cientista em sua área. Primeiro, para não afirmar dogmas e fazer da esc...

[crítica] Batman e o capitalismo

Bruce Wayne é a burguesia, herói oculto da sociedade, nascido com o único propósito de salvar o povo do comunismo. Seu dom maior é seu disfarce. Alfred é a ciência, que avisa Wayne sobre os riscos e contradições  em se envolver na luta de classes mas não o abandona. Beine é o comunismo, nascido no seio do campesinato, que mantém uma relação oportunista com a classe operária. Cruel, demagogo que promete a libertação da opressão. A mulher gato a classe operária, uma ladra burguesa que simpatiza com Bruce Wayne mas não lhe reconhece como representante da justiça, pois é privilegiado. Ela busca sair dos registros e viver de seu roubo (trabalho) impune (sem patrão). O povo dos túneis é o campesinato, que cria o comunismo nas sombras, mística, trabalhadora e irracional. O Estado precisa do Batman e não de Bruce Wayne. Precisa de seu empenho em salvar a sociedade de forma anônima. Quando Batman se envolve na solução de um roubo desencadeia a revolução. O Beine é aquele que promete...

Arquitetura da destruição

O documentário mostra as origens do Nazismo, suas características principais e seu desenvolvimento. Aborda a questão do imaginário racista da pureza e da evolução na relação com os judeus e com as demais nações do mundo, as influências que Hitler teve de artistas, a visão do nazismo mesmo sobre a arte e seu papel, a ascensão dos métodos de extermínio, desde suas experiências mais iniciais e amadoras até seu auge em Auschwitz. veja o filme no link abaixo: Arquitetura da destruição - documentário de Peter Cohen Para aprofundar o estudo do Nazismo, leia uma série de três textos sobre as ideias nazistas e fascistas: 1-  O mito da natureza: a mitificação do camponês 2-  A agricultura familiar no fascismo 3-  A agricultura familiar no nazismo

Entre rios - documentário

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ENTRE RIOS O documentário retrata a história de São Paulo, tratando da ocupação dos portugueses sobre o território indígena, da importância dos rios Tamanduateí e Anhangabaú para o início da cidade e como esses rios foram se tornando obstáculo ao desenvolvimento urbano e, ao invés de serem aproveitados e preservados, foram encobertos e poluídos. O vídeo relaciona essa história com suas causas, ou seja, os interesses econômicos envolvidos nas decisões públicas e as consequências sociais que sofremos hoje, como as enchentes e o problema do transporte público.