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Mostrando postagens de novembro, 2017

[crítica] Novelas e ideologia

Costuma-se dizer que as novelas são instrumento de manipulação da massa. Esse discurso fez parte especialmente do repertório da esquerda nas últimas décadas, pelo menos das duas últimas. Ou seja, desde a redemocratização. Quando o aparato repressivo foi domesticado e iniciou-se a abertura política, a cultura precisava ser edificada em fundamentos democráticos dos quais fazem parte o PT de Lula e as novelas da Globo. E hoje esse discurso faz parte também do repertório da direita anti-liberal, eventualmente evangélica e/ou fascista. Contudo, nessa cultura democrática que tardou anos para se consolidar não existe espaço para censura. A esquerda que demorou tanto tempo para chegar ao poder, levou até a política de Estado a voz do gênero, da raça e do orgulho LGBTT sob a bandeira popular e democrática. As cotas sociais em universidades chega até a considerar a "classe social" na compensação aos alunos da escola pública, mesmo depois do "golpe" de Temer. A Globo que se...

[mini ensaio] Por um novíssimo ensino médio

Eis um problema epistemológico e metodológico da escola, da atividade docente. Diante da incompletude da ciência, o professor encontra na sala de aula dilemas diante dos seus alunos que se referem aos dilemas da própria ciência incompleta, imperfeita e incompetente. O professor pode se fechar numa Torre de Marfim pretensiosamente seguro de seu conhecimento científico. Mas essa torre só existe nas mentes humanas mais vulgares. Qualquer exame mais profundo irá nos colocar diante de debates teóricos, de questões ainda não resolvidas pela ciência. Afirmar que essas questões estão resolvidas pode apenas ser uma solução provisória para o objetivo didático imediato mas a reação dos alunos diante de tais afirmações, de tal conhecimento, revela a capacidade cognitiva e a desconfiança do sujeito que recebe esse conhecimento pretensiosamente verdadeiro. Isso obriga o professor a estudar constantemente a se aprofundar como um cientista em sua área. Primeiro, para não afirmar dogmas e fazer da esc...