[crônica] Sobre parasitas, vida e valor
Uma das coisas mais curiosas dos últimos dias é o reconhecimento público e histérico de que a economia precisa de trabalhadores. Parece uma coisa óbvia, contudo, cotidianamente, sem uma pandemia para que as pessoas falem abertamente, o teatro do mundo oculta a importância daquele que executa as tarefas atrás daquele que dirige o processo de trabalho. Assim, o trabalhador que obedece aceita baixos salários, humilhações, ameaças de desemprego, assédio moral e etc. Soma-se a isso a visão de quem obedece como inferior, quase um animal, ensinando às crianças na escola que elas devem estudar pra "ser alguém na vida". Pois é, isso ficou um pouco mais complicado justamente no momento em que a humanidade se vê bagunçada por uma pandemia. O risco de transmissão para toda a sociedade envolve os setores médios e até da classe dominante, que só pode diminuir o perigo evitando o contato, as aglomerações, o transporte e o trabalho. E então quem aparece? O trabalhador, que não é ninguém,...