crônica] A metonímia pandemônica do capitalismo

Como todos devem estar falando nas pausas do café, nos encontros casuais, nas aulas e reuniões de trabalho. Instalou-se uma pandemia na sociedade mundial. E a indústria cultural passa à margem das questões centrais, obviamente, já que seu papel é justamente distrair a massa. E a massa desconfia da indústria cultural, recorrendo a seus infinitos tentáculos para se informar melhor. Bem vindos! Não há saída, todas as informações parecem duvidosas, o medo e a incerteza se alastram como vírus. Mas o medo não é bom para os negócios! Porque alguém teria interesse no pânico geral. Afinal, o vírus é ou não perigoso? Só mata os velhinhos... Mas distrai a todas as idades. 
Recomendo as análises de Jason Borba e José de Souza Martins (links abaixo). A pequena rua de Nova Iorque representa alguma coisa nisso. Ontem, Donald Trump falou que não é uma crise financeira e falou do vírus como mais uma vez em que os americanos e a humanidade vão lutar para sobreviver. Afinal, ele está respondendo a algum eco sobre a crise que, como coloca Jason, é uma crise política e econômica também. E coloca o vírus no tom de um discurso de guerra. A guerra não é boa para os negócios! Mas ela pode não ser uma opção. O pibinho do Brasil em brasa, não volta agora contra Bolsonaro, esse anão da política que organiza os recalcados e frustrados em todas as áreas. E não queremos realmente responsabilizar ele, como fizeram com a Dilma, como não queremos ficar nessa briguinha de oportunistas pra que o PT volte a gerir o Capital. Sabemos que o buraco é mais embaixo e queremos que o problema se apresente tal como ele é. 
A crise vai mobilizar corações e mentes. A coronação da crise não pode evitar o ódio. Ela não canaliza o ódio, porque vírus não tem consciência. Ainda que não falte quem diga que é o Apocalipse, o Juízo Final, a Vontade Divina. Primeira paixão, o medo não pode evitar esse sentimento. O medo e o isolamento não podem evitar a fome e o ódio, não contra o vírus, mas contra quem brincar com fogo. Apesar de ruim para os negócios, quando se escolhe entre o desabamento e a explosão é simples. É conveniente jogar roleta russa quando podemos ser executados. 
Já se passaram 12 anos da crise de 2008, da qual herdamos o fim de um consenso social-democrata e a ascensão da extrema direita no mundo. Agora não vejo muito além da agonia que precede o ataque desesperado pela sobrevivência, o silencio que precede o estouro. Aulas e trabalhos suspensos, manifestações agendadas e objeto de especulação - o que é importante, afinal? Será que conseguiremos navegar entre as tempestades de algorítimos em busca de terra firme? Será que o vírus vai ser forte o suficiente pra desviar nossa atenção diante da pandemia que se alastra? Veremos nos próximos episódios da série sensacionalista em que nossa vida se transformou.

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