[aforisma] O liberalismo e seus tentáculos

Essa doutrina filosófica, corrente política, própria da burguesia desde sua revolução, já convive com as ideias socialistas desde a grande Revolução Francesa, quando a pequena burguesia promove a distribuição de riqueza. Quando os operários se tornam mais numerosos e buscam se organizar em partidos próprios, o liberalismo já se infiltra em suas fileiras para que os operários defendam a liberdade...da burguesia. Todos livres e iguais, palavras de ordem da burguesia contra a nobreza, agora na boca dos operários. Desde o final do século XIX vivemos a sombra do reformismo pequeno burguês na consciência do trabalhador. E essa sombra, ofuscada pela Revolução Russa que mostrou que outro caminho é possível, dividindo o mundo e mostrando toda a capacidade dos trabalhadores e seu projeto revolucionário, ficou enfraquecida. Com o fim do Estado Soviético, muitos acreditaram que o capitalismo fosse absoluto, o liberalismo novamente toma as fileiras dos trabalhadores. O Partido dos Trabalhadores, no Brasil, é um bom exemplo, tantos outros pelo mundo ainda hoje. Porém é evidente a impossibilidade de conciliar a igualdade e o fim das classes com a liberdade burguesa. A crise do PT mostra isso e, ainda assim, há quem tente voltar a roda da história pra trás, como se fossemos voltar às corporações de ofício, pra alívio dos pequeno burgueses. Mas com a crise da social-democracia, do socialismo capitalista, não entra em crise a ideologia capitalista e o liberalismo mas as ideias socialistas. Oh, mestre, guiai-me! O liberalismo se refaz e se radicaliza. Agora vai com seus tentáculos pra cima dos anarquistas e se afirma anarco-capitalista. Usa a retórica anti-Estado e autoridade, familiar aos anarquistas, para defender a liberdade....burguesa!
Quem sabe com a crise dessa nova forma teremos.... a crise do capitalismo? Não, teremos novamente a crise do anarquismo. Hoje eles assumem anarquia da produção e defendem o seu anarquismo burguês. Amanhã o problema será o anarquismo e a intervenção do Estado será novamente a solução. E com ela as reformas sociais pra conter a pobreza e a revolta. Pra nossa sorte isso tudo não é como a roda de uma bicicleta, esses ciclos nos surpreendem. A anarquia da produção e o moralismo do bom samaritano oportunista estão com os dias contados porque a história tem sujeito e não queremos ser meio, queremos ser fim! O tempo pra conversa mole vai acabar! O fascismo é a prova disso, estão semeando vento e vão colher tempestade!

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