[crônica] A conjuntura internacional a meados de 2018
A notícia de que Donald Trump e Emmanuel Macron tiveram o aperto de mão interminável é antiga, de julho do ano passado. Mas se repete quando se reencontram este ano quando o francês deixa marcas nas mãos de Trump (O globo, 09/06/2018). Poderia ser uma paquera mas as coisas não acontecem somente entre os dois. A tensão ocorre no momento em que ocorre uma reunião do G7 onde o chefe americano exige o fim das barreiras alfandegárias enquanto taxa o aço e o alumínio do Canadá, chamando o presidente do país, Justin Tudreal, de "fraco" e "desonesto" (Valor, 11/06/2018). Uma foto publicada pela chanceler alemã viraliza na internet. Nela, Ângela Merkel aparece inclinada para frente com as mãos na mesa e cercada dos outros líderes do grupo, todos em pé, e encarando Trump, que está sentado de braços cruzados. Na reunião o presidente americano fala de acabar com as desvantagens do comércio internacional para os interesses dos EUA.
Outro fato que marca o acontecimento internacional desta conjuntura nacionalista mundial será a reunião entre Trump e Kim Jong-Un que ocorrerá hoje, dia 11/06. A Coréia do Norte buscará negociar acerca das barreiras comerciais, enquanto os EUA buscam ter garantias de segurança relativo ao poder nuclear norte-coreano (G1, 11/06/2018). Isso quase dois meses de um ataque dos EUA, juntamente com França e Inglaterra, ao governo sírio de Bashar al-Assad. A Rússia é acusada de participar de um ataque químico (DW, 14/04/2018). A tensão que envolveu as potências imperialistas representa uma intensificação da guerra, refletida num aumento da migração. De janeiro a abril deste ano 920 mil pessoas abandonaram o país, o maior número num curto período, segundo a ONU, desde 2011, quando começou a guerra (O globo, 11/06/2018).
Falando de migrações, um navio de resgate italiano com 629 migrantes não pode entrar no país, que rejeita os migrantes e é encaminhado para a Espanha (Veja, 11/06/2018). A Alemanha assistiu recentemente à realização de um festival de extrema-direita no dia do aniversário de Hitler (Folha, 21/04/2018). Há quase um ano, nos EUA, centenas de pessoas fazem uma manifestação exaltando valores da Ku Klux Klan (KKK) e nazistas (BBC, 12/06/2017).
Essas notícias apontam um crescimento do nacionalismo no mundo, uma tensão geral que cresce como decorrência dos efeitos da crise econômica internacional. A burguesia e seus interesses particulares não podem mais ser conciliados pacificamente. As disputas se acirram entre as classe dominantes e os governos expressam esse conflito como representantes de setores específicos. O mercado internacional aponta para uma diminuição da força das moedas emergentes, provocando uma alta do Dolar e a queda para o Ibovespa (O Valor, 05/06/2018). Somado ao ambiente internacional estão as incertezas geradas pela greve dos caminhoneiros diante das eleições. Falando em eleições, Lula, que mantém sua candidatura à presidência enquanto está preso, não pôde receber a visita de um consultor do Papa Francisco. A polícia justifica que não se trata de um sacerdote religioso e recebe um terço "em nome do Papa".
Estamos a uma semana da Copa do Mundo e o futebol nunca distraiu tão pouco, o gramado está prestes a avermelhar, não necessariamente como gostaríamos.
"O fascismo é, na sua essência, uma expressão política da crise capitalismo em sua fase imperialista e na etapa do domínio dos monopólios, como define Leandro Konder (Introdução ao fascismo, São Paulo, Expressão Popular, 2009). Ele disfarça sob uma máscara modernizadora seu conteúdo conservador, sendo antiliberal, antissocialista, antioperário e, principalmente, antidemocrático. A dificuldade do fascismo reside exatamente em juntar esses dois aspectos contrários em sua síntese – isto é, uma intencionalidade à serviço do grande capital (imperialista, monopolista e financeiro) e uma base de massas que permita apresentar seu programa reacionário como alternativa para a “nação”. Creio que o estudo de Reich nos dá aqui uma pista valiosa. A ideologia fascista conclama à revolta dos impulsos reprimidos (seja das necessidades materiais, seja aqueles relativos à repressão da sexualidade) e depois oferece a ordem como alternativa, dialogando assim diretamente com o fundamental da estrutura do caráter universalizado pela sociabilidade burguesa, principalmente das chamadas classes médias. É, portanto, uma política da pequena burguesia que mobiliza massas trabalhadoras para defender os interesses do grande capital monopolista. " (Mauro Iasi, "A psicologia de massas do fascismo ontem e hoje: porque as massas caminham sob a direção de seus algozes?").
Apesar de não haver qualquer reorganização decisiva por parte dos trabalhadores no mundo, não existe fascismo senão em relação ao comunismo. É a possibilidade de o comunismo emergir como Revolução diante do descrédito da democracia capitalista que emerge o fascismo.
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