o passado ameaça
o passado e nossa origem, espacial, temporal e de classe, do povo, de gênero nos ameaçam. nós estamos sempre com ele no encalço, alguns correm pra sombra não pegar mas ela nunca se separa. outro não se importam com ela. mas no sabemos de quantos joãos e marias viveram uma vida de trabalho, para além do suportável, preso à roda que lhe tortura, sem ao menos entoar um gemido de revolta e insatisfação para superar a sombra da miséria. não que essa sombra não ameace realmente a todos de uma classe que trabalha. sabemos quantos não hesitaram quando apareceu a oportunidade de viver e não foram capazes pelo medo. ou aqueles que, lutando contra o medo, encontraram o medo do medo e despertaram numa luta consigo mesmo, fugindo da própria sombra no mesmo instante que se posiciona no ângulo em que esta aumenta demasiadamente. ela se torna invencível e nós viramos crianças perdidas e assustadas, incapazes de reconhecer a ligação do ser com sua representação imaginária e assombrosa.
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